‘A gente reclama muito da dependência, mas como é
maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não
somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto
de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, é talvez chegar em casa
e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É
como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos. Amar é uma confissão. Amar
é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito. Amar é não ter
vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É
lavar louça e nunca estar sozinho. É arrumar a cama e nunca estar sozinho. É
aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados
durante a noite.” Fabrício Carpinejar.
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